Gainza, M. (2012). O primeiro “crítico das ideologias” / Entrevistada por Márcia Junges, IHU On-line, (397), 56-60

A crítica da história mistificadora (a história das Grandes Ideias, dos Grandes Homens, etc., associada com a autocompreensão interessada dos grupos dominantes numa sociedade) e a elaboração da concepção materialista da história marxiana só foi possível porque, antes, esteve Spinoza, realizando uma crítica (inovadora, fundadora) das Escrituras, uma crítica histórico-filológica que inaugura a possibilidade de se ter uma outra relação com os textos históricos. A afirmação é da filósofa argentina Mariana de Gainza na entrevista que concedeu, por e-mail, à IHU On-Line. As leituras surgidas na École Normale Supérieure, entre Althusser, Balibar, Macherey, Matheron e Rancière, permitem ver em Spinoza o primeiro crítico das ideologias, e por isso considerar sua visão da história atual e relevante. De Gainza aponta alguns dos rasgos materialistas da filosofia de Spinoza, quais sejam: sua luta contra a tradição teológica-política, no contexto de uma crítica das leituras religiosas das Escrituras, junto com a desconstrução da ideia de Deus que sustentam as perspectivas filosóficas dominantes em sua época; a crítica da transcendência, do finalismo e do antropomorfismo, enquanto elementos centrais das concepções do mundo da filosofia, da teologia e do senso-comum; uma consideração plural da realidade, entre outros. A pesquisadora analisa, ainda, a influencia spinozana em Nietzsche, filósofo que reconheceu-se realmente maravilhado por ter descoberto um predecessor.
 

 

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